Pensei em muitos temas para ilustrar o meu primeiro post. Assuntos e lugares preferidos não faltaram, mas pensando bem percebi que fazia todo sentindo esse primeiro texto falar sobre a minha própria experiência de morar fora do Brasil.

Vou contar um pouquinho como foi (é) minha vida longe e dar dicas para quem também sonha em embarcar rumo a esse mundão. Bora começar!

O momento-chave da minha decisão

A maioria das pessoas gostam de viajar (eu acredito), mas vale lembrar que viagem para passear é bem diferente de viver em outro país.

Quando você arruma as malas com data certa pra voltar, sabendo que no próximo dia 5 seu salário estará lindo e bonito na conta do banco e os amigos estarão lá para ouvir as histórias, tudo é um belo mar de rosas.

Agora quando você arruma as malas, sabendo que vai ficar um bom tempo sem ver o seu quarto e a sua casa novamente, vai ficar longe da família e não vai ter aquele papo “deprê” com a amiga no dia que acordar triste, tudo se torna bem diferente.

Pra mim aconteceu da seguinte forma: eu sempre tive muita curiosidade de conhecer outras culturas e parecia que passar uma semana num novo país e retornar já não fazia mais sentido. Eu precisava de mais.

Como nunca fui a pessoa mais organizada e planejada desse mundo, então as coisas demoraram um pouco pra acontecer. Mas tudo tem o momento certo.

Minha experiência como viajante

O mais engraçado é que parece que quando você não toma a atitude por si só, a vida faz o trabalho.

Eu gostava do lugar que trabalhava, mas estava cada vez mais difícil de manter aquela vida, ela já não parecia mais minha.

E aí o estresse vai dominando, você começa a se sentir pra baixo, sem motivação. E antes de tomar a decisão de largar tudo, eu fiz alguns testes.

Tentei um curso novo na minha área (jornalismo e marketing) para conhecer novas pessoas. Mudei o visual. Fiz terapia. Troquei de emprego. Mas nada parecia mais fazer sentido.

Era como se a vida continuasse fechando o cerco e dizendo “Dessa vez você não escapa”. Então a decisão foi tomada – partir para a Irlanda por um ano.

Confesso que o meu sentimento era de ansiedade e ao mesmo tempo insegurança de estar fazendo a coisa certa e gastando uma grana alta naquele momento.

A recompensa

A resposta não demorou muito, era sim o que eu precisava ter feito. Foi o certo e um dinheiro muito bem investido. Porque eu percebi que era disso mesmo que eu precisava, novos ares, novos estudos, nova vida.

Foi um processo de purificação. Tanta coisa tinha acontecido nos últimos anos, muitas ruins inclusive, e eu tinha um sentimento de frustração comigo mesma por algum motivo que eu não entendia.

E calma lá. Não quero dizer que depois de morar fora minha vida “foi feliz para sempre”. Não mesmo, foi um período de puro autoconhecimento.

De aprender a viver longe da família e de todos, de me virar, de me ver triste e com problemas pra resolver e não ter pra onde fugir. Mas é claro, também teve muita coisa boa!

Aprendi que fazer amizade e confiar em pessoas é muito mais simples do que eu achava. Conheci lugares lindos, me diverti muito em um ambiente bem diferente e saboreei vários Baileys Irish Cream ☺.

Depois desse um ano longe, eu voltei ao Brasil para rever minha família. Em seguida parti para ficar três meses na França. Voltei às terras brasileiras e cá estou na França novamente, sem previsão de retorno, por enquanto.

Minha experiência como viajante na Irlanda

Visitando o Dublin Castle, Botanic Gardens e Cliffs of Moher

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Afinal, como saber se chegou a sua hora de morar fora?

Chegou a hora de ajudar você a saber se chegou a sua hora de arrumar as malas, mais sobre minha história eu conto nos próximos posts.

Se você também tem a mesma vontade que eu tive de morar fora do Brasil durante um tempo, mas está em dúvida se é a melhor opção nesse momento, separei alumas reflexões que espero ajudar você nessa decisão.

Dicas

Reflita sobre o motivo

O primeiro passo é ter bem claro o que faz, de verdade, você querer encarar esse desafio.

Se a resposta for aprender um idioma, ter fotos bonitas para postar nas redes sociais ou só porque está na moda viver fora, cuidado.

Esses argumentos podem não ser suficientes para sustentar uma longa estadia e gerar até arrependimentos.

Sem dúvidas quando estamos em outro país aprendemos com mais facilidade uma nova língua, mas isso não significa que não podemos atingir um ótimo nível estando no Brasil.

Se esse for o seu caso, pense em quanto tempo você realmente precisa ficar fora, talvez um curso entre 3 ou 6 meses já seja o suficiente pra você.

Tenha em mente os custos

Ir com o orçamento muito apertado pode atrapalhar muito a sua experiência. Tem vários passeios legais que é possível fazer sem gastar muito, sim.

Mas ao mesmo tempo quando você começa a conhecer pessoas é inevitável querer ir em lugares pagos, sair pra comer e beber algo.

Faz parte do momento e é saudável para qualquer um que esteja longe dos amigos. Por isso, se você pensa em ir com o dinheiro muito contado acreditando que chegando lá você vai segurar, eu indicaria ter uma graninha extra.

Escute o seu coração

Quando olho pra trás e vejo como as coisas aconteceram pra mim, percebo que tudo tem o seu momento certo e é preciso saber respeitá-lo, tendo consciência de quando ele chegar.

Se você ainda tem dúvidas sobre morar fora, pense mais, reflita, liste as desvantagens e vantagens dessa decisão.

Siga o seu coração, em momentos de decisões difíceis, muitas vezes a resposta já está lá, mas não conseguimos (ou não queremos) enxergá-la.

O primeiro ponto é eliminar as desculpas, que sempre encontramos várias, e estar consciente do desafio que virá pela frente.

Pra mim, a melhor forma de ter uma experiência fora bem sucedida é estar disposto a sair da sua zona de conforto, aberto a novos estilos de vida. Morar fora do seu país é um exercício diário de desapego.

Para não me prolongar muito, fico por aqui. Não se esqueça de deixar um comentário e seguir meu Instagram, lá você pode acompanhar toda minha jornada.

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